História

Como tudo começou...

1908 - Em 18 de junho chegou no porto de Santos o navio Kasato Maru, primeiro navio de imigrantes japoneses

1912 - Sindicato de Tokyo e o Governo do Estado firmaram o contrato para fundar a colônia de Iguape.

1913 - Núcleo de Iguape: colonizadores começam a chegar. A colonização na região ocorreu em Registro, Sete Barras e Katsura (Jipovura), beirando o rio Ribeira do Iguape.

Chegada dos pioneiros japoneses em Registro
Fonte - Museu Histórico da Imigração Japonesa - Registro-SP

 

Em 1919, durante o período da colonização japonesa nas redondezas do Rio Ribeira de Iguape...
Torazo Okamoto era técnico de chá no Japão. Chegando à nossa região, assim como muitas outras famílias de japoneses, pretendeu iniciar seu crescimento com a agricultura. Mas, apesar de ser técnico de chá, não poderia imaginar que estas terras eram férteis para o cultivo do chá preto, optando por cultivar outras culturas que na época eram os principais produtores da colônia, como: o arroz, a cana-de-açúcar, a mandioca e o café
.

 

Depois de dois anos sem êxito na atividade agrícola, Torazo ficou sabendo da existência de mudas de chá em São Paulo, que haviam sido trazidas por Dom João VI para ornamentar os jardins do palácio. Ele trouxe essas mudas para Registro, mas não obteve o resultado desejado, pois eram de espécie chinesa, mais adequada para o chá verde.
Foi então que em 1935, Torazo voltou ao Japão para buscar novas máquinas, conseguindo 100 sementes da espécie Assâmica, da região do Sri Lanka, tanto adequadas para o chá verde quanto para o chá preto.

O curioso dessa história é que para trazer essas sementes, nosso protagonista as escondeu dentro do miolo de pão, para “driblar” a fiscalização do navio. Levou, inclusive, um pouco de terra e a semeação iniciou durante a longa viagem..



Placa presente na plantação feita por Torazo Okamoto

 

Cultivo de Chá por Torazo Okamoto
Fonte- Museu Histórico da Imigração Japonesa Registro-SP

 

Dessas 100 sementes resultaram 60 plantas que até hoje podem ser vistas perto da fábrica, na fazenda Chá Ribeira.

 

Ricardo Okamoto, neto de Torazo Okamoto. Atrás as primeiras mudas de chá trazidas pelo avô no miolo de pão.

 

O CHÁ


Chazal

É uma bebida popular, natural e extremamente saudável. Ele é difundido no mundo inteiro. Aqui no Brasil o consumo de chá ainda é muito pequeno , mas ele é muito consumido no mundo inteiro. Ele é um produto da industrialização das folhas da planta Camellia Simensis , essa planta é originária da China. Ela não tem nada a ver com o chá mate, chá de erva cidreira, chá de hortelã, chá de camomila. Não tem nada a ver. Esse é o verdadeiro chá. Por exemplo, o chá mate que é mais consumido é de uma planta originária do Sul do país chamada Ilex paraguariensis e o chá tostado, o chá queimado como nós chamamos o consumo é próximo ao consumo do chá preto. Mas elas não têm a ver. É um outro consumo,uma outra bebida. A partir dessa planta Camellia simensis pode ser feito o chá preto ou o chá verde. O chá preto é mais conhecido como o chá que os ingleses tomam, é mais ocidentalizado e a diferença é que o chá preto é fermentado. O chá verde é mais do consumo dos orientais. E que agora está sendo descoberto os benefícios que ele faz na saúde humana do consumo do chá verde aqui no ocidente então seu consumo tem aumentado. O chá foi trazido ao Brasil pelos colonizadores portugueses mais precisamente por Dom João VI no início do século XVIIII, mas foi trazido como intuito de ornamentar jardins, Não era explorado comercialmente. A exploração do chá começou no início da década de 20.

A HISTÓRIA DA FAMÍLIA OKAMOTO

A imigração no Brasil se iniciou em 1908. E a colonização japonesa se iniciou aqui na nossa região em 1913. E Torazo Okamoto veio em 1919. Ele era técnico de chá no Japão. Ele não veio pra trabalhar com chá. Porque ele nunca imaginou que do outro lado do mundo ele pudesse trabalhar com chá. Ele trabalhou na agricultura como todos os imigrantes daquela época. Começou produzindo arroz, cana de açúcar como todos os imigrantes. Depois de dois anos sem sucesso, e essa região não tem nada a ver com aquela época que era sem recursos, mata virgem e então Ele ficou sabendo que existiam algumas plantas parecidas com o chá foram trazidas por esses colonos portugueses e essas plantas estavam no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e no Viaduto do Chá em São Paulo. E ele trouxe algumas sementes dessas que existiam no Brasil e começou a plantar nessa região. Em 1925 ele produziu alguns quilos de chá verde de forma artesanal no processo manual. Em 1928 ele começou a produzir também pelo processo manual alguns quilos de chá preto. Como ele não estava conseguindo uma qualidade desejada. Em busca da melhor qualidade ele retornou ao Japão em 1935 onde adquiriu algumas máquinas bem rústicas, máquinas de madeira ainda de industrialização do chá. E no retorno da viagem de navio tinha uma parada no Sri-Lanka, que é um país no sul da Índia onde conseguiu 100 sementes da espécie Assâmica, colocou no miolo de um pão, onde mostrou para um carregador de malas. Dentro do navio ele as semeou e germinaram 60 que existem até hoje e originaram todos os chazais do Vale do Ribeira.

O CHÁ RIBEIRA

São os únicos produtores que detém marca no mercado interno. O nome da marca foi dado em homenagem ao Rio Ribeira de Iguape.

Embalagens

Mais de 90% da produção é exportada.

A planta é perene, e ao planta-la demora de 3 a 4 anos para a 1ª colheita. A planta fica adulta a partir de 7 anos. Sua flor é hermafrodita – se reproduz por semente ou muda.

Safra de setembro a maio. No inverno faz-se a poda para rebaixar a planta para que ela possa começar a produzir novamente. Na safra, faz-se 15 a 20 colheitas.

A colheita – A capina é feita manualmente ou quimicamente. O manual é o mais indicado. Faz-se o desgalhamento lateral para retirar ramos indesejáveis.
São utilizadas 3 adubações químicas com concentração em Nitrogênio, responsável pelo desenvolvimento das folhas.

5 quilos de folhas do chá rende 1 quilo de chá seco.

Como se faz o processo para a preparação do chá:

1ª etapa – Murchamento, onde se retira 40% de umidade da folha verde através de ventiladores de ar. Esse processo dura em média 12 horas.

2ª etapa – Moagem – O objetivo é romper as células das folhas. Dura em média 1 hora e meia.

3ª etapa – Fermentação – Fixa qualidades do produto através do resfriamento do ar natural (bebida/ aroma/coloração)

4ª etapa – Secagem – Eleva-se a temperatura a 100° C, onde se interrompe a fermentação. A folha sai desse processo com até 3% de umidade.

5ª etapa – Beneficiamento – Onde se retira as impurezas

6ª etapa – embalagem em sacos de 20 e 40 Kg.


Máquinas a pleno vapor


PRODUÇÃO

3 mil toneladas por safra.
Consumo mundial – 2,5 milhões de tonelada
Maior produtor – Índia com 750 mil toneladas por safra.
O maior consumidor é o reino Unido com um consumo de mais de 3 quilos per capita ao ano. No Brasil o consumo ainda é pequeno com 2 gramas per capita ao ano.

A FÁBRICA

1921 – produção de chá por Torazo Okamoto (pessoa física)
Setembro de 1952 – Fundação da Empresa – Torazo Okamoto Ltda.
1975 – Torazo Okamoto S.A. Chá Ribeira
1994 – Torazo Okamoto Ltda. Chá Ribeira

Durante a II Guerra Mundial houve intervenção do governo que congelou os bens da família Okamoto. Então em 1947 quando Hitoshi Okamoto, filho de Torazo Okamoto, naturalizado brasileiro completou 18 anos, conseguiu reaver a propriedade, porém em condições de completo abandono. Então começaram a retomar todo o trabalho. Em 1949 deu-se início à exportação para a Argentina (70 mil toneladas de chá por safra). Na década de 80 foio auge do chá com 12 mil toneladas de chá por safra.

DECADÊNCIA

Como 90% da produção de chá preto é exportada, a remuneração do dólar também afeta diretamente o preço pago pelo produto e os conseqüentes rendimentos das fábricas. Os preços recebidos pelo produto brasileiro no mercado internacional, para onde se destina a maior parte da produção, mostraram-se crescentes, de 1996 a 1998 (período em que a moeda brasileira esteve valorizada) e decrescentes de 1999 a 2002 (período de desvalorização do real). A instabilidade das condições climáticas e as chuvas irregulares também estimularam muitos produtores a reduzir ou até mesmo a extinguir a produção.

FUTURO

Contratar nutricionista para criar receitas com o chá para se modernizar e aumentar o consumo do chá aqui no Brasil.

PERSPECTIVAS

Investimentos no mercado interno, pois a comercialização do chá está em crise há 13 anos (desde 1994). Hoje a produção descapitalizada preciusa de investimentos. Precisa haver mudança de mentalidade, modernização no consumo, inserir o chá na merenda escolar e em cestas básicas. Popularizar o consumo é uma saída.

Sr. Ricardo Okamoto

FILOSOFIA ORIENTAL

A fábrica trabalha com base na filosofia oriental em que "O funcionário não pode só trabalhar pelo dinheiro. Ele tem que gostar de onde trabalha."

Por isso temuma estrutura empresa familiar, onde o funcionário começa e aposenta na fábrica.
A fazenda ainda conta com benfeitorias - 01 capela, 01 escola de1ª a 4ª série, 01 Progama de Saúde da Família que conta com 01 médico e 02 enfermeiras, e um clube social gerido pela comunidade. A maioria das famílias moram no Chá Ribeira.



PSF do Chá Ribeira

Fontes:

Museu Histórico da Imigração Japonesa - Registro-SP
Ricardo Okamoto